Exposição Cor de burro quando fica

No atelier 3|3, loja 30 – CCCedofeita, Rua de Cedofeita, n. 451, loja 30, Porto

A presente exposição dá a ver cerca de 36 cadernos diarísticos e ainda algumas obras gráficas a eles interligadas. Marta Ramos é designer e ilustradora e tem desenvolvido vários trabalhos ligados a uma imensidão de diários gráficos nunca antes mostrados ao público. Usando técnicas como o desenho, a escrita, os recortes e colagens, a serigrafia, e uma panóplia de imagens que encontra e desencontra numa expressão singular de ritmos, de linhas, de cor e de manchas. Através de vários cadernos intimistas, de registo reflexivo, a autora traça e inscreve neles esboços de ideias, apropriando e desconstruindo matérias e conceitos percepcionados a partir do que a rodeia. Observa e sinalizando o mundo que tem tanto de experiência como do que lhe é subjectivo é assim que dele parte para chegar ao seu modo de pensar e fazer. A convite da Madame Zine resolveu então mostrar este universo mais pessoal do seu trabalho e a partir deles selecionaram algumas páginas que a convite do atelier 3|3 deram origem a uma publicação.

COR DE BURRO QUANDO FICA ironiza a expressão popular “Corra do burro quando foge” que é uma recomendação clara para evitar burros que se enraiveciam. “Cor de burro designa uma cor incaracterística, vagamente desagradável, insípida. Trata-se de um tipo de cor que não existe propriamente. “Cor de burro quando fica”, é coisa inventada. Conta-nos a história do burro que decide ficar e mostrar a sua cor. Parece que não tem andado bravo, nem tem afugentado os que se tentam aproximar. Os que já viram o burro de mais perto, ficaram confusos. Se fosse olhado só com o olho direito parecia ter tons cinza e laranja, se só o olho esquerdo fosse utilizado, um padrão de baleias e barcos aparecia, em tons de azul escuro e verde água. Quando visto à vista desarmada e a uma distância não superior a um metro, o burro parecia emitir sons estranhos. Alguns dizem que até cantava. Há quem jure que já o viu dançar. Mas não nos desconcentremos com estes boatos. A cor do burro. É essa que nos interessa descobrir. Ouçam, atirem-se à fera. Olhem com os dois olhos abertos, não se deixem assustar por qualquer ruído estranho que possa emitir. Ele está aqui para se deixar pintar. Marta Ramos, 2017

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